terça-feira, 17 de outubro de 2017

HÁ DEZ ANOS - CINEMA: A BARRIGA DE UM ARQUITECTO

Há dez anos, a 17 de Outubro, incluído nas comemorações do Dia Mundial da Arquitectura, foi exibido no Cineteatro São Pedro, em Abrantes, o filme The Belly of an Architect, integrado nas sessões das quartas-feiras do Espalhafitas (Secção de Cinema Palha de Abrantes), do realizador Peter Greenaway, que conta a história de um arquitecto americano que viaja com a esposa para Roma para organizar uma exposição em memória do influente arquitecto francês Étienne-Louis Boullée. Aí, ele descobre que tem um tumor maligno e à medida que a doença se desenvolve, o seu casamento desmorona-se e sua carreira sofre um colapso.



filme
A BARRIGA DE UM ARQUITECTO (THE BELLY OF AN ARCHITECT)
Peter Greenaway, Reino Unido e Itália, 1987

domingo, 15 de outubro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #20



CASA Y
ÓBIDOS, ARELHO

Jorge Sousa Santos
SousaSantos Arquitectos
2006

A casa é construída por três corpos divergentes do ponto de vista funcional, que se conjugam num único elemento através do espaço de intersecção que forma a sala de estar. Este espaço de intersecção possibilita a uma visão dinâmica da paisagem pois esta pode ser apreendida como panorama ou como imagem tangencial nos percursos de utilização da casa.

Estes percursos desenvolvem-se segundo os eixos das alas sul – norte (quartos) e nascente - poente (serviços), tornando a sala num vórtice visual dialogante com a biblioteca que se configura no limite poente da construção. A ideia de paisagem enquanto imagem e o seu reflexo no quotidiano doméstico foram os fundamentos base do processo criativo deste projecto.

site: sousasantos.com

ver mais sobre o projecto:
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arquitour.com
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terça-feira, 10 de outubro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #19



REORGANIZAÇÃO DA COLINA DO CASTELO DE POMBAL
POMBAL, POMBAL

Luís Miguel Correia, Nelson Mota e Susana Constantino
COMOCO Arquitectos
2011

SITUAÇÃO ANTERIOR
Nas últimas décadas, o Castelo de Pombal e os seus arredores estavam condenados à reclusão no centro da cidade. Para o cidadão comum, o Castelo era somente um pano de fundo para o dia-a-dia, uma mera referência de identidade que ressoava como a história da cidade mais que como uma experiência real da mesma. A rua “Rua do Castelo”, que define os limites sul e oeste onde a colina se encontra na cidade, delimitando o limite entre os reinos. Desta rua, eram possíveis algumas ligações com o recinto amuralhado. No entanto, o seu estado de conservação decaiu progressivamente, dificultando o uso público. A vegetação da área – hoje em dia muito apreciada pela população – é, paradoxalmente, o resultado do abandono que sofreu esta zona durante a maior parte do século XX.

OBJETIVO DA INTERVENÇÃO
O projecto para a reorganização do Castelo da Colina de Pombal foi lançado pela Câmara Municipal da cidade com o objectivo de promover a recentralização da zona. A ordem básica da Comissão incentivou um projecto que ajude a fomentar o uso desta área histórica tanto por residentes como por turistas. O programa foi desenvolvido em colaboração com os políticos e técnicos municipais, junto com a equipa de projecto e enriquecido pelos comentários da população fornecidos numa etapa preliminar da proposta.
A premissa básica era que o projecto deveria melhorar as ligações entre as zonas urbanas e a parte inferior da colina, e entre a mesma colina com o recinto amuralhado. A articulação com o Castelo, um marco distintivo da cidade, deve ser abordada com o fim de preservar sua importância com a identidade da população. Para aumentar o atractivo da zona, deveriam ser criadas novas instalações como estacionamento, caminhos confortáveis e seguros, zonas de descanso e contemplação, e uma cafetaria.

DESCRIÇÃO DA INTERVENÇÃO
O carácter básico da intervenção é uma tentativa de oferecer uma abordagem pela qual os novos elementos desenhados deveriam estar claramente definidos num contexto tanto natural e dos elementos construídos pré-existentes, sem questionar o carácter destes dois. O projecto define três áreas, cada uma delas com uma abordagem diferente.
Na primeira, as ladeiras ao sul e a poente da colina, a abordagem centrou-se na ideia do fluxo. Esta ideia foi desenvolvida criando e colocando em relevo as ligações entre as zonas urbanas na parte inferior da colina do Castelo, as vias ao largo das ladeiras e à sombra para fornecer protecção e fomentar a diversidade de experiências no contacto com a paisagem. Os materiais utilizados foram principalmente muros rebocados, pavimentos de pedra e areia, e estruturas de madeira.
Na segunda área, na proximidade do cemitério, a abordagem estava comprometida com a ideia de um desenho topográfico da infraestrutura. Tanto a zona do estacionamento como as instalações adjacentes foram desenhadas como elementos topográficos, muros de betão que suportam a transição entre as pequenas diferenças de níveis.
Por último, a terceira área, que rodeia o recinto amuralhado, teve como objectivo realçar o castelo como principal elemento construído. O acesso oeste deste castelo foi redesenhado, incluindo a plataforma na sua parte inferior. Os arredores da igreja de Santa Maria também foram redesenhados para oferecer um espaço público que pudesse fomentar a sua apropriação como cenário privilegiado para actuações e outras actividades culturais. O material que se utiliza nesta área é a pedra calcária, a mesma que se usa nos principais lugares de interesse, o castelo e as ruínas da igreja.
Para trabalhar como um aglutinador entre estas áreas foi desenhada uma cafetaria, constituindo um elemento adicional para atrair visitantes à zona. Para enfatizar a sua importância na intervenção em geral, a cafetaria foi construída em estrutura metálica e acabada com painéis de aço corten, nas suas fachadas e coberturas. Desta maneira, incorpora-se uma estratégia de desenho que contrasta o novo com o pré-existente, sem esquecer a identidade do lugar e gerando um delicado equilíbrio entre a natureza e o edifício.

site: comoco.eu

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

PROJECTAR #58

A actividade PROJECTAR regressa a Leiria para a 58.ª edição em mais uma sessão dupla, com dois documentários dedicados a edifícios de habitação social separados por mais de uma centena de anos, o Familistério de Guise, de André Godin e o Nemausus 1 em Nîmes, projectado por Jean Nouvel, e terá lugar no Auditório Artur Manuel Silva no Mercado de Sant´Ana, no dia 19 de Outubro, pelas 19h00.



Ambos da série Architectures, o primeiro é dedicado ao Familistério em Guise, projectado pelo seu promotor, André Godin, e foi realizado por Catherine Adda em 1996:

O Familistério de Guise é o antepassado da habitação social. O habitat comunitário é para Jean-Baptiste André Godin, o criador, o arquitecto, o construtor e o proprietário do edifício, a pedra angular de uma nova sociedade...

Na primeira metade do século XIX, a revolução industrial atrai uma vasta população para as cidades onde nada está preparado para a acolher. As primeiras habitações operárias são construídas segundo o modelo da casa individual. Os industriais, mesmo os mais esclarecidos, temem a habitação colectiva: juntar a massa operária em alojamentos colectivos seria criar focos de insurreição nesses tempos de agitação revolucionária. O Familistério de Guise ignora essas reticências: um único edifício com 450 metros de desenvolvimento, constituído por um rés-do-chão, três andares e sótãos acessíveis por dezasseis escadas colectivas que servem apartamentos destinados a lojar 1.500 pessoas - o equivalente a 300 casas individuais.




O segundo documentário sobre o conjunto de habitação a custos controlados Nemausus 1, em Nîmes, do arquitecto Jean Nouvel, foi realizado por Richard Copans e Stan Neumann em 1995:

Antes de assinar o Musée du Quai Branly, Jean Nouvel concebeu Némausus 1, uma verdadeira revolução na arquitectura da habitação social.

Pelo mesmo custo, uma superfície superior em 30 % à das habitações a custos controlados correntes! 114 apartamentos sociais são encomendados a Jean Nouvel pela Câmara de Nîmes. A forma de Nemausus, o seu aspecto de nave espacial saída da "Guerra das Estrelas", foram depois copiados a torto e a direito. Mas para Jean Nouvel, esta forma não é um capricho de artista. É o resultado de uma abordagem rigorosa, de uma batalha pelo espaço, de uma luta contra os custos. Ganhar espaço para os apartamentos minimizando os espaços colectivos cobertos, despejando todas as circulações (escadas e corredores) para o exterior. Ganhar espaço ganhando luz: todos os apartamentos são "transversais", iluminados naturalmente por aberturas a norte e a sul.





Com estas sessões propõe-se esta Delegação da Ordem dos Arquitectos exibir documentários de Arquitectura, como forma de divulgar a vida e obra de arquitectos com importância na história e teoria da arquitectura, nacional e internacional, de várias épocas e movimentos, e assim contribuir para o enriquecimento da cultura arquitectónica na nossa região.

Estas sessões destinam-se, para além dos arquitectos da região, a outros técnicos e a todas as pessoas com curiosidade e interesse nestes temas, sendo de acesso livre mas limitadas à lotação do Auditório Artur Manuel Silva no Mercado de Sant´Ana, em Leiria, que está disponível para o efeito.

Apoio:
Município de Leiria

PROGRAMA:

19 de Outubro, 19h00
Auditório Artur Manuel Silva (Mercado de Sant´Ana), Leiria
O Familistério de Guise
Uma cidade radiosa no século XIX
ANDRÉ GODIN

(1996, Catherine Adda, 28')
Nemausus 1
Habitação a Custos Controlados dos anos 80
JEAN NOUVEL

(1995, Richard Copans e Stan Neumann, 26')

ARQUITECTURA AO CENTRO #18



PARQUE TECNOLÓGICO DE ÓBIDOS
ÓBIDOS, GAEIRAS

Jorge Mealha
Andreia Baptista (coordenação), Carlos Paulo, Diogo Oliveira Rosa, Filipa Ferreira da Silva, Filipa Collot, Gonçalo Freitas Silva, Inês Novais
Jorge Mealha
2014

Conceitos do projecto e condições do terreno
Em 2010, o Município de Óbidos lançou um concurso internacional de arquitectura com o propósito de desenhar os edifícios centrais e a praça principal para o Parque Tecnológico de Óbidos, destinados a acolher uma estrutura construída para "start-up" de empresas criativas.
O local do parque tecnológico encontra-se na periferia de Óbidos, uma pequena e bela vila histórica situada a aproximadamente cem quilómetros a norte de Lisboa.
A região de Óbidos ainda se caracteriza por um ambiente predominantemente rural e equilibrado entre a floresta e pequenas propriedades agrícolas, onde as superfícies pavimentadas se espalham através do território de uma maneira quase aleatória. O terreno destinado à construção do edifício e praça principal do parque ocupa o lugar onde se encontrava o estaleiro principal de apoio à construção da autoestrada A8, que hoje une Lisboa com o norte do país.
A estratégia de projecto propõe uma solução que procura reverter o processo de pavimentação em curso neste território, através de uma solução que inverte esta lógica, aumentando tanto quanto seja possível a área verde. Mais que o desenho de um edifício, a estratégia adoptada trata de (re)criar um lugar onde a paisagem é determinante para a estrutura principal.
O projecto também se refere ao programa do concurso, que de forma estranha para nós, estava a pedir uma praça principal para um parque tecnológico no meio do campo. A partir desta premissa do programa surgiram algumas dúvidas de desenho. Como criar uma praça no centro deste campo particular e único? Como desenhar uma praça sem um tecido urbano circundante e evoluir este lugar?
Como resultado de negociações no tempo inserido no tecido urbano, este convoca toda a gama de funções associadas - habitação, comércio, artesanato, etc - como se vê na Plaza de San Marcos, em Veneza, ou como um desenho simbólico barroco como a Praça do Comércio de Lisboa ou incluso como na Piazza Navona, em Roma, onde a praça se superpõe em sua geometria sobre locais e programas anteriores. A praça, como conceito, não pode se separar do âmbito urbano que conforma e dá forma a seus limites e propósito. O estudo relativo à forma, usos e geometria de várias praças e a possível adequação ao longo do projeto surgiu durante o processo projetual como uma solução bastante estranha e forçada. Assim que, como projetar uma praça sem cidade, sem seu tecido urbano gerador? Esta perplexidade de desenho, a insuficiência de desenhar uma praça sem tecido urbano foi um fator chave para buscar e encontrar espaços públicos alternativos. Assim, a estratégia de desenho mudou e trouxe outros tipos de espaços de convivência que permitissem obter o espaço público desejado sem desenhar uma praça como tal.
Em vários lugares rurais de Portugal ainda existem alguns espaços públicos interessantes chamados de "Terreiros". Caracterizando alguns assentamentos ou pequenas cidades, estes espaços de convivência vão desde um tipo de geometria sem forma quase sem edifícios que os rodeia, a lugares completamente integrados e desenvolvidos por pequenas construções.
Encontramos que, de maneira muito interessante para a gente, os "terreiros", este tipo de grandes espaços livres, são, de fato, bastante eficazes como espaços públicos apesar de seus limites frequentemente sem formas.
São nestes espaços muito flexíveis que durante todo o ano as pequenas comunidades da região organizam cortejos tradicionais, feiras, procissões religiosas, concertos de música, atividades tradicionais ou jogos. Muito menos dependentes dos tecidos urbanos, os espaço cívicos são flexíveis e fortes ao fornecer oportunidades para o encontro e atividades de convivência. Então, ao invés de propor o desenho de uma praça urbana como tal, o projeto tem como objetivo desenvolver um grande espaço público com características similares a uma praça, mas muito mais flexível com as relações com um entorno construído ou geométrico.
Mantendo os objetivos de convivência expressados nas bases do concurso, a decisão do projeto foi centrada no objetivo de criar um grande espaço público, seja como uma relação fácil e flexível com os edifícios que o rodeiam, ou como complemento da paisagem natural.
Outro aspecto da pesquisa através do processo projetual refere-se às qualidades e características dos grandes edifícios neste território em particular. Foi possível notar que parte dos pequenos assentamentos construídos que de algum modo marcam este território, algumas grandes granjas ou conventos e monastérios rasgam finas linhas horizontais na paisagem, que é principalmente verde. Essas grandes estruturas construídas marcam a perspectiva do território com finas linhas horizontais onde o desenvolvimento do projeto é de importância crucial. Assim, o desenho buscou desenhar um edifício que surgiria na paisagem como uma fina linha horizontal, como uma parede longa e contínua.
Por outro lado, a pesquisa e o estudo das maiores estruturas religiosas da região, o Monastério de Batalha e o Convento de Cristo em Tomar, revelaram aspectos interessantes para o programa do concurso. Os claustros apresentados por essas estruturas religiosas foram de especial eficácia para o programa solicitado. De fato, como recinto de empresas "start up", a comunicação e o fácil contato entre os usuários são um aspecto fundamental. Ou, uma estrutura de claustro é muito eficaz para a possibilidade de uma forte interação visual. Assim, o processo do desenho também passou pela possibilidade de criar uma solução na qual uma espécie de claustro poderia estar relacionada com todas as demais premissas do projeto.
Paralelamente, outras camadas de conhecimento contaminam e apoiam o processo projetual em curso. Duas fontes foram de particular interesse para a equipe de projeto. Uma delas foi o livro de John Maeda, "The Laws of Simplicity", e a outra a exposição "The New Silk Roads", de Kyong Park, no Museu de Arte Contemporânea de Castilla y León, na Espanha há alguns anos.
Esta exposição de Kyong Park tratava a expressão e o registro no território de alguns conceitos como a negociação, o conflito, a superposição, a contaminação e o equilíbrio que eram similares aos que surgiram através das premissas do processo de desenho. De fato, todos os objetivos de desenho em relação com o projeto do Edifício Central do Parque Tecnológico de Óbidos, foram de alguma maneira equilibrados e apoiados por estratégias similares com o território, como as expressões e anotações mostradas nas obras de Park.
O livro de Maeda foi utilizado como um marco conceitual, como uma espécie de tratado de arquitetura, como um modelo para o pensamento arquitetônico. Através de noções como reduzir, organizar o tempo, as diferenças, o contexto e a emoção, a pesquisa de projeto e seu desenvolvimento equilibraram os requisitos do programa com as soluções mais simples possíveis, fortemente contaminadas pela lei 10 do livro, na qual o autor afirma que "a simplicidade é restar o óbvio e adicionar o significativo".A proposta de desenho resultante é bastante simples e de alguma maneira literal com as referências tratadas. Uma área interior do terreno foi parcialmente pavimentada com seus limites,o que sugere uma espécie de bordas naturais (o que sempre sugere o resultado de um processo de erosão). Parte desta superfície pavimentada, o "terreiro", tinha alguns ilhós com o fim de aumentar a permeabilidade do solo. Rodeando o espaço, duas longas paredes sustentam a terra e incorporam parte do programa. Na esquina sudeste, uma nova colina é criada reutilizando os movimentos de terra necessários para inserir todo o programa do térreo do edifício.
Na parte superior, acima do espaço cívico criado e a paisagem (re)criada e extensa, uma praça vazia enorme, um claustro de escritórios, um marco, flutua apoiada somente em seis pontos e delimita o espaço que filtra as perspectivas para o interior e exterior.
A decisão de incluir parte do programa abaixo da paisagem possui vários objetivos. Um é aumentar as superfícies verdes dentro do terreno. O outro é diminuir as necessidades de energia em termos de sistemas de ventilação do edifício. Por último, com a criação da nova colina, reutilizando a terra que se moveu para alocar o programa no térreo, pudemos sugerir de alguma maneira um limite natural ao sudeste do "terreiro", evitando gastar energia com transporte desta terra a outra lugar e a criação de uma terraplanagem em outros lugares.
O programa é distribuído de uma maneira muito clara e simples. No térreo encontram-se todos os espaços de apoio como sala de reuniões principal e salão multifuncional, um FabLab, um pequeno restaurante, algumas lojas e as principais áreas técnicas. No claustro flutuante encontram-se todas as unidades de escritórios para as empresas "start up" e alguns laboratórios. Ambos os pavimentos apresentam grandes área organizadas através de uma estrutura modular que proporciona enorme flexibilidade para se adaptar em relação com as necessidades.
Materiais
Foram utilizados principalmente três materiais: concreto, aço e vidro. Basicamente o térreo é de concreto aparente, expressando uma estrutura telúrica. Todas as marcas do processo de construção foram deixadas intencionalmente, atuando como uma textura mural e uma memória de roteiro gráfico. Também, intencionalmente, a plasticidade do concreto em bruto foi considerada como uma característica expressiva e para a identidade espacial. Todo o térreo tem a ver com o lar, com sua expressão áspera e pesada.
As paredes internas e os pisos são de concreto. Alguns detalhes de madeira (painéis OSB) e elementos pintados de preto (mesas de recepção, falsos tetos acústicos, escadas) propõem um marco interno de perspectivas, equilibrando a expressão de concreto.
Externamente, no térreo, além das janelas (vidro térmico duplo com caixilho de alumínio), são utilizados dois materiais: concreto e aço corten. O piso de concreto é texturizado com pó de metal com o objetivo de oxidar o pavimento um pouco aleatoriamente através do tempo. Partes das paredes estão cobertas por painéis de aço corten oxidado. Estes painéis estão feitos com o uso de módulos padronizados de unidades de andaimes de pavimento.
Oposto ao térreo, o primeiro pavimento demonstra a geometria e a claridade. Um conjunto de treliças metálicas enormes criam quatro prismas vazios e interconectados, construindo um claustro grande e flutuantes. A estrutura limita a modularidade das unidades "startup" que ocupam a maioria do espaço neste nível.
Neste pavimento, a circulação foi realizada através de uma circulação interior ventilada naturalmente, protegida por uma grande superfície de vidro. As paredes exteriores são feitas de painéis leves, úmidos e isolantes, e as paredes interiores são construídas com o sistema seco de painéis leves de gesso.
No "claustro circulação" o pavimento é de unidades de andaimes de aço perfurado, e seu tecto falso é feito com folhas de alumínio. A fachada exterior está completamente coberta por uma membrana branca leve, translúcida e transparente, construída com unidades de andaimes de aço perfurado envernizado.

site: jorgemealha.com

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joaomorgado.com
metalocus.es
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EDIFÍCIOS CENTRAIS • Parque Tecnológico de Óbidos from ÓBIDOS TV on Vimeo.

domingo, 1 de outubro de 2017

HÁ DEZ ANOS - DIA MUNDIAL DA ARQUITECTURA EM ABRANTES
EXPOSIÇÃO DUARTE CASTEL-BRANCO

No dia 1 de Outubro de 2007, comemorou-se em Abrantes o Dia Mundial da Arquitectura com a inauguração da exposição DUARTE CASTEL-BRANCO - Arquitecto, Urbanista, Um Percurso, Uma Obra, organizada pelo Núcleo do Médio Tejo da Ordem dos Arquitectos em parceria com o Município de Abrantes.
Com a presença do homenageado, a exposição teve lugar na Biblioteca Municipal António Botto, obra do próprio que resultou da adaptação do Convento de São Domingos, e a sua abertura contou com a participação de Nelson de Carvalho, presidente da Câmara Municipal de Abrantes.

(Clique na imagem para ver mais)
Seguiu-se uma conferência sobre o arquitecto e urbanista Duarte Castel-Branco, com moderação do arquitecto Rui Serrano, presidente do Núcleo do Médio Tejo, e com as intervenções dos arquitectos Duarte Nuno Simões, Ana Tostões e Leonor Cintra Gomes, presidente da Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos, que assinalou a data com a apresentação nacional da brochura Trabalhar com um Arquitecto.



Seguiu-se um jantar comemorativo no restaurante "O Fumeiro" que contou com a presença de cerca de três dezenas de comensais, entre arquitectos e convidados.

A exposição esteve patente ao público até ao dia 19 de Outubro de 2007, e dela foi editado um catálogo que pode ser folheado aqui:

sábado, 30 de setembro de 2017

ARQUITECTURA AO CENTRO #17



PARQUE LINEAR DE OURÉM
OURÉM, OURÉM

João Nunes
Nuno Jacinto, Mafalda Silva Meirinho, Sílvia Basílio, António Magalhães de Carvalho
PROAP
arquitectura: António Garcia Arquitectos
2005

Com este projecto pretende-se constituir um espaço urbano que responda a um conjunto de solicitações de vária ordem, que podem ser integradas num âmbito de preocupações de requalificação urbana e ambiental.
Por um lado, qualificar o espaço canal da Ribeira de Seiça, adequando o seu desenho e funcionalidade a um uso no sentido da fruição lúdica e desportiva, oferecendo à população do concelho e aos visitantes um equipamento singular. Por outro lado, promover uma correcta articulação entre o tecido urbano adjacente e o espaço natural da ribeira, tomando esta oportunidade para intervir no sentido da resolução pontual de algumas situações de conflitualidade e contribuindo para a coerência e a ligação das diferentes peças constituintes desta situação de “remate” urbano. Por fim, assumir e desenvolver uma valência de “nova centralidade” urbana, estruturada em torno de dois equipamentos de grande relevância: o Centro de Congressos e o novo Mercado Municipal, ambos com grande capacidade atractiva, espaços de encontro, reunião, indutores de fruição comunitária do espaço público, consequentemente de catalisação do exercício de uma cidadania plena. O espaço onde se realiza a feira, que constitui a infra-estrutura fundamental mas que só funcionará uma vez por semana, serve de argumento para construir um espaço de traçado linear, utilizado quotidianamente pela população.

site: proap.pt

ver mais sobre o projecto:
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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

PROJECTAR EM LEIRIA


Quase dois anos depois, Leiria volta a receber a actividade PROJECTAR, cuja quinquagésima oitava sessão vai ter lugar no Auditório do Mercado de Sant'Ana, pelas 19:00 do próximo dia 19 de Outubro, quinta-feira, com a exibição de dois documentários sobre edifícios de habitação colectiva, um sobre o Familistério de Godin, em Guise, e outro sobre o Nemausus 1, complexo de habitação social projectado por Jean Nouvel em Nîmes, ambos na França.



Mais informações em breve.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

EXPOSIÇÃO (A)RISCAR O PATRIMÓNIO NO CONVENTO DE CRISTO

Será inaugurada no Convento de Cristo, na sala norte do Noviciado, em Tomar, no dia 4 de Outubro, às 18h00, a exposição (a)Riscar o Património.
A exposição apresentará uma selecção de mais de 100 trabalhos resultantes dos encontros do ano passado, que decorreram em 12 locais diferentes do país.
Será também apresentada uma mostra de trabalhos de anos anteriores (cerca de 100), pretendendo-se assim dar uma dimensão diacrónica desta iniciativa.
A exposição (a)Riscar o Património resulta de uma iniciativa da DGPC - Direção-Geral do Património Cultural, com apoio dos Urban Sketchers Portugal, que teve início em 2014, integrada nas comemorações das Jornadas Europeias do Património.
Associar a representação do património ao desenho, na sua vertente mais imediata e espontânea, dá o mote para este projecto, que tem como base a reunião, em várias vilas e cidades do país, num mesmo dia, entre sketchers, ilustradores, artistas ou simples amantes do desenho, e que entra, em 2017, na sua quarta edição.
São 3 anos de desenhos rápidos, feitos ao sabor do instante, em cadernos de diferentes dimensões e características, a captar lugares, ambientes, pessoas, momentos e monumentos - já que o mote transversal a este projecto é, sempre, o património, em tudo o que encerra de diverso e universal.